O Spotify se rendeu ao rádio?

O Spotify se rendeu ao rádio?


Com a nova playlist “Caminho Diário”, que une músicas e notícias, os usuários têm a experiência do formato rádio na plataforma de streaming. A novidade foi lançada recentemente no Brasil, México e Argentina.

Por Fernanda Nardo.


O formato rádio prova a cada dia que veio para ficar e se adaptar às novas tecnologias. Não importa a plataforma, é sempre o rádio com sua magia, sua maneira única de comunicar e se relacionar com os ouvintes. Uma prova do sucesso do rádio é o lançamento da nova playlist “Caminho Diário”, do Spotify, – plataforma de streaming de áudio,-, que combina músicas e notícias. Assim como o formato do rádio diário.

A playlist já era oferecida em outros países desde 2019, e foi lançada no mês passado no Brasil, México e Argentina. Ela une os boletins informativos com as músicas favoritas do usuário, selecionando as faixas por meio de algoritmo. As atualizações de notícias são feitas por veículos como a BandNews FM, G1, CBN, Folha de São Paulo, O Estado de S. Paulo, Jovem Pan, Exame, Rádio Globo, CNN Brasil e Agência Radioweb.

De acordo com gerente de produtos digitais da CBN São Paulo, Thiago Barbosa, a rádio já tem uma programação grande de podcasts e quando o Spotify entrou em contato, eles já tinham o produto certo para o projeto. Hoje, a CBN faz seis boletins de três minutos cada, que são veiculados diariamente na playlist “Caminho Diário”.

“A cada meia hora temos um resumo de notícias, o Repórter CBN, que é a grande coluna vertebral da rádio. Com a chegada da nova playlist, nós apenas enviamos esses boletins para a plataforma de streaming”, diz.

Para ele, há coisas que apenas se adaptam às mudanças da sociedade, e o rádio é uma delas. “Como nossos pais, tentamos nos diferenciar mas acabamos sendo um pouco como eles. Assim como o Spotify, que em alguns aspectos também se rende ao comportamento do rádio”, diz.

Segundo o gerente de produtos digitais, parte dos ouvintes deixou de ouvir a CBN por causa do Spotify e outras plataformas de streaming. Por outro lado, pessoas que não eram ouvintes da rádio passaram a acompanhar os programas de podcast. Ele estima que cerca de 10% da audiência da rádio venha do digital.

“Temos que acompanhar a tecnologia, ela transforma o hábito das pessoas. O podcast é só um jeito mais moderno de se fazer rádio. Na rádio, você precisa conquistar os ouvintes, já no podcast o ouvinte te escolhe antes. Mas sempre alguém vai ter que ser o comunicador, o spotify é a plataforma, eles não vão fazer rádio”, afirma.

Interatividade ao vivo

Para o doutor e docente do curso de Rádio TV e Internet da Universidade Metodista de São Paulo, Marcelo Briseno Marques de Melo, o podcast é um programa de rádio, mas em plataforma digital. No entanto, ele diz que no rádio existe a magia que está todo mundo ouvindo naquele mesmo momento juntos, e a participação do ouvinte aparece na hora. “Isso é muito gratificante para os ouvintes. A transmissão ao vivo é algo que mantém o rádio forte”, destaca.

Por mais que hoje tenhamos podcasts de notícias diariamente colocados no streaming, a credibilidade do rádio permanece forte. “O rádio tem agilidade e rapidez em informar. Os ouvintes sempre procuram o veículo para confirmar a informação”, diz o docente.

Para Briseno, o programa “Caminho Diário” é uma comprovação do sucesso do trabalho do rádio, que alterna música, informação e entretenimento, uma receita agradável e que agora é replicada. “É a programação de rádio sendo reproduzida. Além disso, temos uma geração nova mais familiarizada com a internet, que quando ouve o rádio percebe que é a mesma coisa, só que em outra plataforma. Eu vejo como positivo para o rádio”.

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