Santa Rita do Sapucaí e o ecossistema brasileiro de tecnologia em broadcast

Santa Rita do Sapucaí e o ecossistema brasileiro de tecnologia em broadcast

Quando um radiodifusor pensa em onde nasce a tecnologia que coloca sua emissora no ar, a imagem costuma ser a de grandes centros industriais, no Brasil ou no exterior. Existe, porém, uma cidade de cerca de 40 mil habitantes no Sul de Minas Gerais que concentra uma parte relevante da engenharia eletrônica e de telecomunicações feita no país. Santa Rita do Sapucaí, conhecida como Vale da Eletrônica, é também a cidade onde nasceu a Biquad.

Entender como esse polo surgiu ajuda a entender por que equipamentos de broadcast desenvolvidos ali têm uma relação tão próxima com a realidade das emissoras brasileiras.

 

Uma escola técnica antes de qualquer fábrica

A história começa no fim da década de 1950, quando o Brasil ainda importava a maior parte dos aparelhos de rádio que circulavam pelo país. Luzia Rennó Moreira, a Sinhá Moreira, filha da cidade e sobrinha do ex-presidente Delfim Moreira, voltou ao Brasil depois de anos no exterior com uma ideia que parecia improvável para uma cidade ligada ao café e ao leite: formar técnicos em eletrônica.

Em 1959 foi fundada a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa, a ETE FMC, considerada a primeira escola técnica de eletrônica da América Latina. Em 1965 surgiu o Inatel, Instituto Nacional de Telecomunicações, com o primeiro curso brasileiro de graduação superior em Telecomunicações. A Faculdade de Administração e Informática, a FAI, chegou em 1971 e acrescentou a gestão e o empreendedorismo à formação técnica.

Nos anos 1960 e 1970, Santa Rita funcionava na prática como um grande campus de eletrônica. Antes de existir um polo industrial, existia uma geração inteira de técnicos e engenheiros formados na própria cidade.

 

Do campus às empresas

Foi desse tripé de escolas que as primeiras empresas surgiram, abertas em sua grande maioria por alunos e ex-alunos. Quando a economia local precisou de um impulso, no fim dos anos 1980, a cidade passou a se apresentar como Vale da Eletrônica, apelido que pegou e hoje é usado oficialmente.

Os números atuais mostram o tamanho dessa construção. Segundo o Sebrae Minas, o ecossistema reúne cerca de 160 empresas de base tecnológica e 50 startups. Os dados do Sindvel, sindicato das indústrias locais, indicam um faturamento de R$ 3,84 bilhões em 2025. Para uma cidade desse porte, é uma concentração incomum de conhecimento aplicado.

O Inatel, por sua vez, participou de marcos nacionais como a implantação da TV digital e do 5G e hoje está envolvido em pesquisas de 6G. Ou seja, a tecnologia de comunicação que molda o setor de radiodifusão passa, de alguma forma, pelas salas e laboratórios dessa cidade.

 

O que isso significa para o broadcast

A radiodifusão tem exigências específicas. Equipamentos que operam 24 horas por dia, sinais que precisam respeitar normas técnicas de modulação, estúdios que trabalham com orçamentos muito diferentes entre uma rádio comunitária e uma grande emissora comercial. Esse tipo de demanda é bem conhecido por quem vive no Vale da Eletrônica, porque os profissionais da região estão em contato direto com técnicos e operadores de rádio de todo o Brasil.

É nesse ambiente que a Biquad foi criada, no ano 2000, a partir da incubadora do Inatel. A empresa é um exemplo do caminho típico do polo: uma ideia técnica, formação sólida e a vontade de desenvolver no Brasil produtos que o mercado costumava buscar fora.

Alguns resultados desse caminho estão nos estúdios e transmissores de todo o país. O processador de áudio digital DAP4-FM está presente em mais de mil emissoras no Brasil e no mundo. O suporte de microfone MOVE ARM já equipa centenas de estúdios. Soluções como o distribuidor de áudio DIST-28 e o processador analógico APG02 mostram a preocupação em atender tanto a emissora que precisa de recursos avançados quanto a que precisa de algo simples, confiável e acessível.

 

Uma visão honesta sobre o “feito no Brasil”

Vale um comentário de realismo. Fabricar equipamentos em Santa Rita não significa que cada componente seja produzido localmente. A indústria eletrônica mundial funciona em cadeia, e componentes como processadores e conversores vêm de fornecedores internacionais, em todos os países. O que fica na cidade é o que mais importa para o usuário final: o projeto, o firmware, o software de controle, a engenharia de aplicação e o suporte técnico.

Na prática, isso significa que, quando uma emissora precisa de uma adaptação, de uma orientação de instalação ou de uma resposta rápida sobre um equipamento, existe uma equipe técnica no mesmo país, no mesmo idioma e no mesmo fuso horário. Para quem opera uma rádio no ar, esse detalhe pesa mais do que qualquer folheto de especificações.

 

Um ecossistema que também representa marcas internacionais

O ecossistema brasileiro de broadcast não vive isolado. A Biquad, além de fabricar linhas próprias, é representante oficial no Brasil de marcas internacionais como AEQ, Solidyne e Axia/Telos Alliance. A combinação entre desenvolvimento nacional e representação de tecnologias globais permite que a emissora monte um estúdio completo, com produtos de origens diferentes, atendida por um único parceiro técnico.

 

Conclusão

Santa Rita do Sapucaí mostra que tecnologia de ponta não depende de uma metrópole. Depende de educação de qualidade, de continuidade e de gente que decide empreender perto de onde aprendeu. Mais de seis décadas depois da fundação da primeira escola de eletrônica, o resultado está à vista: um polo reconhecido nacionalmente, com reflexos diretos na forma como o Brasil faz rádio.

Se a sua emissora, estúdio de podcast ou projeto de transmissão busca equipamentos pensados para a realidade brasileira e com suporte técnico próximo, a equipe da Biquad Broadcast está à disposição para ajudar a escolher a solução mais adequada.

 

João Pedro Policarpo
Coordenador Comercial

Share this post


Chame no WhatsApp